Gabinete Itinerante - São Carlos (SP)

Gabinete Itinerante - São Carlos (SP)

Gabinete Itinerante – São Carlos (SP)

No dia 31 de agosto aconteceu a 7ª edição do Gabinete Itinerante, projeto de construção de políticas públicas e participação popular do mandato. Estivemos em São Carlos para conversar sobre como podemos inovar para construir soluções sustentáveis para os problemas socioambientais que vivemos hoje no Brasil e no mundo. A conversa contou com a participação participação da empreendedora Lígia Di Nardo e aconteceu no Instituto Inova, que é um parque tecnológico com um certificado internacional de empreendimento  sustentável.  

O evento começou com a apresentação do grupo musical teatral Sons Vítreos L’AQUA, criado pela professora de Química da UFSCar, Karina Lupetti, em que participam integrantes com deficiência visual. O grupo forma uma orquestra com instrumentos de vidro e busca  popularizar a ciência e a arte dos materiais vítreos por meio da música. 

Depois da apresentação, iniciamos o debate, que começou com uma breve formação política e seguiu para a discussão do tema dia: inovação e sustentabilidade. Lígia Di Nardo apresentou a startup que ajudou a fundar e que tem como objetivo pensar em soluções para o lixo plástico gerado na indústria dos cosméticos. Segundo a WWF, o Brasil produz mais de 11,3 milhões de toneladas de lixo plástico por ano e apenas 1,28% desse total é reciclado. No mundo, todos os anos, são produzidas 120 bilhões de unidades de embalagens de cosméticos que são feitas, em sua maioria, para serem usadas uma única vez.

O público começou o debate querendo entender mais sobre a responsabilidade das empresas diante desse cenário. Ligia acredita em responsabilidade compartilhada, principalmente considerando a Política Nacional de Resíduos Sólidos que responsabiliza toda cadeia pela geração do resíduo. De fato, segundo ela, essa é uma questão que deve ser debatida entre empresas e sociedade para que se ache uma solução que não prejudique nem as empresas e as necessidades dos clientes, nem o meio ambiente. 

Um outro ponto que foi levantado foi sobre como fazer uma discussão séria a respeito do plástico no meio ambiente sem que surjam apenas soluções fáceis e rasas. Uma das participantes, que é pesquisadora e trabalha com polímeros, citou o exemplo dos canudinhos de plástico. Segundo ela, apesar da proibição do canudo em alguns estados ser benéfica, ela não representa muito em termos gerais. A participante classificou essas proibições como uma solução midiática e cobrou que houvesse mais contato entre os entes públicos e as pesquisas que são realizadas dentro das universidades.  

Outra questão foi como o currículo nas escolas pode estar mais voltado para que nossas crianças pensem de forma mais inovadora e mais conectada aos desafios deste século. 

Fomos questionados também sobre os graves problemas que estamos vivendo na Amazônia e como podemos lidar com isso no âmbito do legislativo. Pudemos falar também sobre a atuação parlamentar da Tabata acerca de políticas de educação, meio ambiente e previdência. 

Sobre essa última, fomos questionados sobre como enfrentar estruturas partidárias consideradas antigas sendo jovem na política. Pudemos ponderar que, apesar de jovem, houve um estudo profundo do tema da previdência e que é muito frustrante perceber como a lógica machista empurrava a responsabilidade da nossa decisão a outros homens que supostamente falam como deveríamos votar. 

As discussões foram ricas e importantes para que chegássemos a uma conclusão: faltam ainda evidências na hora de pensarmos em políticas. É importante e necessário inovar no setor privado para darmos uma resposta rápida aos problemas socioambientais que estamos vivendo. No entanto, é urgente também que os políticos e gestores entendam que esses problemas precisam ser pensados de maneira séria e que são necessários laços mais profundos entre pesquisadores e os que executam leis e políticas públicas.     

O Gabinete Itinerante é um projeto que sonhamos para o mandato e vem da experiência de campanha, de ativista, de estudante de escola pública, nas quais percebemos que a política fica muito distante das pessoas comuns. Entendemos que a transformação só vai acontecer quando as pessoas participarem da política e quando a nossa política for, de fato, representativa. Agradecemos a todas e todos que participaram desse dia cheio de aprendizados e ideias. 

 

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